Moção de Repúdio

Reunidos na cidade de Espera Feliz entre os dias 5 e 8 de novembro de 2015, os/as participantes do 10º Fórum pela Promoção da Igualdade Racial, advindos de inúmeros municípios mineiros, vem manifestar sua solidariedade aos irmãos e às irmãs atingidos pelo rompimento da barragem de rejeitos da cidade de Mariana, que afetou diversos municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo. Considerando que o FOPPIR é também um espaço de denúncias de injustiças, vem tornar público seu REPÚDIO às grandes corporações, especialmente a MINERADORA SAMARCO que degradam o meio ambiente e exploram os trabalhadores/as sem nenhum compromisso social e ambiental. Cobramos e exigimos do Estado brasileiro, através de suas instituições, a responsabilização criminal e cível da MINERADORA SAMARCO e a assistência total aos atingidos direta e indiretamente.

Espera Feliz/MG,  08 de Novembro de 2015.

 

 
X FOPPIR é encerrado com convite à união dos povos em favor da igualdade

O último dia do Fórum pela Promoção da Igualdade Racial-FOPPIR reafirmou a necessidade de respeito e diálogo entre as diferentes culturas que compõem o povo brasileiro. O domingo (08/11) se iniciou com uma mística retratando o resgate da sabedoria tradicional e a aliança dos povos indígenas e negros, ao redor do fogo, para a promoção da vida e da dignidade humanas. A décima edição do Fórum, realizada em Espera Feliz, contou com a presença de 170 representantes de movimentos sociais e organizações diversos do estado de Minas Gerais, bem como do poder público e da sociedade civil.

Os participantes se reuniram em grupos nos quais compartilharam vivências culturais ligadas aos “conhecimentos populares das plantas”, “toque dos tambores”, “hip hop”, “cultura popular”, “expressão corporal”, “penteados e estética afro-brasileiras”. Vivências estas que foram apresentadas, de forma artística, para todos os presentes do Fórum, em valorização da riqueza dos anseios e saberes produzidos e trazidos pelos homens e mulheres negros.

O teor político foi expresso na Carta Aberta produzida coletivamente pelos membros do FOPPIR, documentando a posição do Fórum perante a agenda conservadora e a ameaça de retrocesso nos direitos duramente conquistados pelos movimentos sociais. Uma carta de repúdio à mineradora Samarco, pertencente à Vale e à BHP (Biliton), também foi redigida exigindo a responsabilização criminal e cível da Samarco e a assistência total aos atingidos direta e indiretamente no rompimento das barragens em Mariana.

 

 

 
Pluralidade cultural e debates marcam o segundo dia do FOPPIR

b_200_150_16777215_0___images_stories_antoniodorico.jpgA manhã do último sábado despertou ao som do tambor, caxixi, xequerê, agogô, pandeiro e violão. Por todos os lados, bandeiras, vestimentas e acessórios multicores enfeitavam os participantes e o espaço físico do 10 Fórum pela Promoção  da Igualdade Racial- FOPPIR, que desde o dia 5 está acontecendo em Espera Feliz. Mais de 170 pessoas se reúnem, trazendo a riqueza da diversidade de gerações, de crenças e manifestações da fé, de sexualidades, de culturas, em um propósito comum: tornar concreto o direito de todos, sem distinção, serem tratados com igualdade.

Divididos em grupos de trabalho, com auxílio de coordenadores e facilitadores de diálogo, os participantes debateram temas centrais para os movimentos e organizações que compõem o FOPPIR. Durante todo o dia, foram contextualizadas as lutas e resistências, bem como os avanços que ainda precisam acontecer no campo da “religiosidade de matriz africana”, “comunidades quilombolas”, “saúde integral e religiosidade”, “juventude”, “pastoral afro-brasileira”, “a mulher no século XXI”, “o controle social nos municípios”, “a educação e políticas afirmativas”.

Ao final da tarde, foram compartilhados, em plenária, os principais pontos debatidos e os encaminhamentos que serão apresentados ao Fórum Mineiro de Entidades Negras –FOMENE. Para César Medeiros, o fórum tem agregado cada vez mais novas pessoas e trazido com propriedade a questão da negriture, nos diferentes âmbitos. “O FOPPIR para nós hoje representa um canal de resistência e de afirmação do povo negro na Zona da Mata mineira, na região das Vertentes e da região central de Belo Horizonte e, através do FOMENE, amplia a discussão para o Estado de Minas Gerais inteiro”.

O senhor Antônio Dorico Braga, da comunidade de São Pedro no município de Divino, encantou a todos com a motivação que trouxe para o Fórum. Aos 98 anos, ele diz ter aprendido muito. “Foi bão demais, nossa senhora! No meu tempo não tinha nada disso, eu não estudei não. Eu gostei muito e até pedi a moca para escrever a rodinha da dança e o conjunto para eu apresentar lá na minha comunidade”.

 

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