Pluralidade cultural e debates marcam o segundo dia do FOPPIR PDF Imprimir E-mail

b_200_150_16777215_0___images_stories_antoniodorico.jpgA manhã do último sábado despertou ao som do tambor, caxixi, xequerê, agogô, pandeiro e violão. Por todos os lados, bandeiras, vestimentas e acessórios multicores enfeitavam os participantes e o espaço físico do 10 Fórum pela Promoção  da Igualdade Racial- FOPPIR, que desde o dia 5 está acontecendo em Espera Feliz. Mais de 170 pessoas se reúnem, trazendo a riqueza da diversidade de gerações, de crenças e manifestações da fé, de sexualidades, de culturas, em um propósito comum: tornar concreto o direito de todos, sem distinção, serem tratados com igualdade.

Divididos em grupos de trabalho, com auxílio de coordenadores e facilitadores de diálogo, os participantes debateram temas centrais para os movimentos e organizações que compõem o FOPPIR. Durante todo o dia, foram contextualizadas as lutas e resistências, bem como os avanços que ainda precisam acontecer no campo da “religiosidade de matriz africana”, “comunidades quilombolas”, “saúde integral e religiosidade”, “juventude”, “pastoral afro-brasileira”, “a mulher no século XXI”, “o controle social nos municípios”, “a educação e políticas afirmativas”.

Ao final da tarde, foram compartilhados, em plenária, os principais pontos debatidos e os encaminhamentos que serão apresentados ao Fórum Mineiro de Entidades Negras –FOMENE. Para César Medeiros, o fórum tem agregado cada vez mais novas pessoas e trazido com propriedade a questão da negriture, nos diferentes âmbitos. “O FOPPIR para nós hoje representa um canal de resistência e de afirmação do povo negro na Zona da Mata mineira, na região das Vertentes e da região central de Belo Horizonte e, através do FOMENE, amplia a discussão para o Estado de Minas Gerais inteiro”.

O senhor Antônio Dorico Braga, da comunidade de São Pedro no município de Divino, encantou a todos com a motivação que trouxe para o Fórum. Aos 98 anos, ele diz ter aprendido muito. “Foi bão demais, nossa senhora! No meu tempo não tinha nada disso, eu não estudei não. Eu gostei muito e até pedi a moca para escrever a rodinha da dança e o conjunto para eu apresentar lá na minha comunidade”.

 

 

Religiosidade e matriz africana

Proposta que o FOMENE institua uma pasta voltada para as religiões de matriz africana. Que haja uma comissão de pessoas, incluindo jovens, que sejam, de fato, da religiosidade e promovam formação de religião de matriz africana.

É necessário trabalhar com o povo de santo a conscientização dos direitos já constituídos, pois o Brasil é um país laico e todos têm direito ao culto sem nenhuma forma de discriminação.

É de fundamental importância que os centros de candomblé e casas de umbanda sejam catalogadas e registradas pelo poder público.

Comunidades quilombolas

É necessário fortalecer a assistência técnica em agroecologia para comunidades quilombolas, em especial para a juventude.

Promover, a partir do FOMENE, canais de dialogo com instituições públicas nas instâncias municipal, estadual e federal, apresentando propostas do FOPPIR para comunidades  quilombolas rurais e urbanas.

Fortalecer iniciativas da rede de saberes quilombolas nas comunidades rurais e urbanas, no intuito de acessar políticas públicas e titulação de terras.

Saúde integral e religiosidade

Traçar linhas de ação, a fim de garantir saúde de qualidade para a população negra, implantando e implementando o comitê técnico dentro da Secretaria Estadual de Saúde, de acordo com determinação da Conferencia Estadual da Saúde de 2015, extensivo às secretarias municipais de MG, para tratar as políticas publicas de saúde da população negra, respeitando as terapias naturais oriundas das comunidades tradicionais.

Promover a conscientização sobre a urgente criação de um cartão pré-natal mais especifico para mulheres negras, promovendo também campanhas de esclarecimento sobre direitos da gestante, alem de outras temáticas como a descriminalização do aborto, a fim de a questão ser tratada como saúde pública.

Conhecer, divulgar e discutir o estatuto da igualdade racial, assim como os relatórios da CPI do genocídio da juventude negra, dentro das entidades das quais participamos e junto aos conselhos municipais de saúde e igualdade racial, visando ações de prevenção contra violência, alem do atendimento e acompanhamento das vitimas de violência durante o tratamento ou mesmo amenizando possíveis agravos.

Juventude

Incentivo a criação do Conselho Municipal da Juventude

Incentivar implantação do “Programa Juventude Viva” nos municípios

Assumir a campanha através de ações que dialoguem com a sociedade pela não redução da maioridade penal.

Que o Fomene paute uma agenda estadual com os movimentos sociais que debatem a questão da juventude

Pastoral afro brasileira

Incorporar formação sobre a questão étnico-racial para lideranças da igreja, a fim de potencializar acolhida, considerando a realidade das dioceses e arquidioceses

Elaborar cursos de formação continuidade sobre a pastoral, dentro da perspectiva com a possibilidade semipresencial para agentes multiplicadores.

Sensibilizar o clero e seminaristas sobre as orientações da CNBB sobre a pastoral.

Mulher no século XXI

Nos municípios que não tem, criar a Casa e a Delegacia das mulheres.

Promoção da igualdade de gênero na base da sociedade, escolas e famílias.

Cobrança do governo, dentro da secretaria dos direitos humanos, reativar imediatamente o conselho estadual dos direitos da mulher.

Controle social nos municípios

Criação de um local, aberto ao publico, para inserir os conselhos “casa de conselho”

Participar e compreender as reuniões na câmara, bem como das conferências, audiências públicas, para conhecer o que pode ser cobrado.

Investir na formação de conselheiros de direitos, implantar os conselhos ainda não existentes, de forma especial para a igualdade racial.